No dia 26 de Março de 1981, era fundado o Clube de Montanhismo da Guarda. Os onze elementos fundadores, a maior parte deles praticantes de outras modalidades desportivas, davam assim o primeiro passo para introduzir na região da Guarda uma actividade desportiva completamente nova e que, paradoxalmente não tinha até aí despertado o interesse de quem vivia na cidade do país com melhores condições naturais para a sua prática. O crescimento meteórico do Clube nos dois primeiros anos, revelando uma grande motivação de centenas de praticantes; introduz o montanhismo nas discussões do dia a dia e chama a atenção para a importância que a Guarda virá a adquirir num movimento de forte desenvolvimento desta modalidade a nível nacional.
Em 1983 o CMG, conjuntamente com a ASE, organiza o primeiro NEVESTRELA, que logo na segunda edição (no ano seguinte), se transforma na maior actividade de montanha do país e em ponto de encontro obrigatório para o debate e a troca de ideias acerca da organização do Montanhismo em Portugal. No mesmo ano de 83, montanheiros da Guarda deslocam-se aos Picos da Europa, onde pela primeira vez escaladores portugueses realizam uma via na parede oeste do Naranjo de Bulnes.
O Clube de Montanhismo da Guarda começa a ser o ponto de referência mais visível desta prática desportiva no nosso país. A proximidade com Espanha, onde o montanhismo vai anos-luz à frente, comparativamente com Portugal, permite ao CMG desenvolver, nos anos de 1984 e 1985, um importante trabalho de formação que culmina com a deslocação aos Alpes, em Julho e Agosto de 1985, de doze montanheiros da Guarda, onde realizam um conjunto de ascensões alpinas importantes e permitindo que, novamente pela primeira vez, um número tão significativo de montanheiros portugueses tome contacto com a Alta Montanha e simbolicamente pisem o ponto mais elevado da Europa, o Monte Branco.
O Clube estava consolidado e prestigiado após quatro anos de vida. Seguiram-se anos em que o reconhecimento deste facto foi bem visível, através das inúmeras solicitações para enquadramento de actividades organizadas por escolas, clubes e as mais diversas entidades. Passaram então pelas "mãos" de monitores do CMG milhares de jovens na sua primeira aventura de montanha. Ao mesmo tempo, aumentou o número de sócios e criaram-se as condições para que os praticantes realizassem autonomamente a sua evolução técnica.
A partir de 1986 um novo impulso foi dado através da chegada de novos praticantes ao Clube, em resultado do esforço de formação de jovens nas diferentes práticas do montanhismo.
Nos anos 90 o Clube de Montanhismo da Guarda atinge metas importantes noutros domínios, tais como a construção da sua sede social, a aquisição de alguns meios logísticos; a par da continuação do trabalho de promoção do Montanhismo. A transição de século e milénio coincide com uma aposta nova na escalada desportiva. A existência de uma parede artificial de escalada na cidade e o aparecimento de praticantes interessados na modalidade, leva o Clube à organização do "Master de Escalada 2000", que decorreu com êxito.
O Clube de Montanhismo da Guarda pode orgulhar-se do esforço daqueles que foram os protagonistas de histórias e imagens inapagáveis. Imagens e histórias que contemplamos muitas vezes com uma mistura de saudade e orgulho. Acontecimentos desportivos e humanos que honram o trabalho persistente de muita gente que foi construindo e aprendendo.
Ao longo do tempo Clube de Montanhismo foi sendo construído por pessoas que não se limitaram a praticar um novo desporto ou a percorrer novas montanhas. Foram capazes de aprender como se fazem amigos. Descobriram como se medem os defeitos e as limitações humanas. Encontraram nas montanhas novos desafios que lhes permitiram alargar a auto-estima.
Ao olharmos para trás vemos uma imensidão de participantes nas centenas de actividades organizadas, encontramos jovens a iniciarem-se no montanhismo, menos jovens a descortinarem o prazer de caminhar na montanha, alpinistas experientes e escaladores arrojados.